Queridos amigos e amigas de Inharrime,
Aqui estou, mais uma vez, para
partilhar convosco algumas notícias, e desta forma, serenar algumas das pessoas,
que seguindo as notícias, se unem à nossa preocupação pela instabilidade que se
vai alastrando em Moçambique.
Começo por dizer que Inharrime e
os seus bairros ainda estão em PAZ! Já não posso dizer o mesmo da zona um pouco
mais ao Norte: Homoíne. Nesse distrito tem havido bastante movimento das
pessoas, procurando lugares mais seguros. Também porque ainda têm na memória os
massacres da guerra dos 16 anos!...
Na Gorongosa, mais no Centro do
País, as mortes sucedem-se e o povo vive uma total insegurança. As crianças não
fizeram exames, não há hospitais, não há comércios... Enfim há aquilo que a
guerra deixa atrás de si: desolação.
As viagens na estrada Nacional,
ainda na província de Inhambane, fazem-se com coluna militar. Voltou a aparecer
o espectáculo que as nossas retinas se esforçavam por esquecer.
O que vai acontecer? Não sabemos!
Uns têm determinadas exigências a que os outros não querem responder e entre
tanto o povo morre!!! Especialmente morrem os jovens não treinados para a
guerra.
Nós vivemos a situação de todos
os que sofrem, e o Bispo da diocese pede-nos solidariedade e ajuda, para com as
vítimas que tendo deixado as suas casas e as suas terras, se vão refugiando nas
paróquias.
Quanto aos vossos afilhados. Não
tenho notícia de que haja algum bairro atingido pela guerra. Rezo para que Deus
nos defenda de tão grande mal.
O Centro segue com o seu trabalho
normal. É tempo de matrículas. Se tivéssemos lugar não para cento e vinte, mas
para mil meninas, não seria o suficiente para responder aos pedidos para
acolher as crianças órfãs e estudantes... Mas temos consciência de que não
podemos resolver os problemas de Moçambique, apenas queremos dar um pouco de
qualidade de vida aquelas que connosco vivem. Nesse sentido o Centro está cada
vez mais bonito!
Agradeço de coração todos aqueles
que se têm tornado presente para saber notícias. Esperamos que a Paz venha e
permaneça.
Continuarei a comunicar a evolução da situação.
Sempre muito unida, e com uma
sincera e profunda gratidão.
Sou a vossa Ir. Lucilia Teixeira
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