Rádio Marginal

04/02/14

Carta da Irmã Lucília



Queridos amigos e amigas de Inharrime,

Aqui estou, mais uma vez, para partilhar convosco algumas notícias, e desta forma, serenar algumas das pessoas, que seguindo as notícias, se unem à nossa preocupação pela instabilidade que se vai alastrando em Moçambique.
Começo por dizer que Inharrime e os seus bairros ainda estão em PAZ! Já não posso dizer o mesmo da zona um pouco mais ao Norte: Homoíne. Nesse distrito tem havido bastante movimento das pessoas, procurando lugares mais seguros. Também porque ainda têm na memória os massacres da guerra dos 16 anos!...
Na Gorongosa, mais no Centro do País, as mortes sucedem-se e o povo vive uma total insegurança. As crianças não fizeram exames, não há hospitais, não há comércios... Enfim há aquilo que a guerra deixa atrás de si: desolação.
As viagens na estrada Nacional, ainda na província de Inhambane, fazem-se com coluna militar. Voltou a aparecer o espectáculo que as nossas retinas se esforçavam por esquecer.
O que vai acontecer? Não sabemos! Uns têm determinadas exigências a que os outros não querem responder e entre tanto o povo morre!!! Especialmente morrem os jovens não treinados para a guerra.
Nós vivemos a situação de todos os que sofrem, e o Bispo da diocese pede-nos solidariedade e ajuda, para com as vítimas que tendo deixado as suas casas e as suas terras, se vão refugiando nas paróquias.
Quanto aos vossos afilhados. Não tenho notícia de que haja algum bairro atingido pela guerra. Rezo para que Deus nos defenda de tão grande mal.
O Centro segue com o seu trabalho normal. É tempo de matrículas. Se tivéssemos lugar não para cento e vinte, mas para mil meninas, não seria o suficiente para responder aos pedidos para acolher as crianças órfãs e estudantes... Mas temos consciência de que não podemos resolver os problemas de Moçambique, apenas queremos dar um pouco de qualidade de vida aquelas que connosco vivem. Nesse sentido o Centro está cada vez mais bonito!
Agradeço de coração todos aqueles que se têm tornado presente para saber notícias. Esperamos que a Paz venha e permaneça.
Continuarei a comunicar a evolução da situação.
Sempre muito unida, e com uma sincera e profunda gratidão.

Sou a vossa Ir. Lucilia Teixeira

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